Estelionato Educacional
03/01/2011 in Educação e Cultura
Todos sabem que a Engenharia é física ou química aplicada, em estreita relação com a matemática. Hoje em dia, poucos engenheiros possuem esses conhecimentos fundamentais, mas, em contrapartida, proliferaram títulos de ocasião. A mais notável novidade é o ambientalismo, que logo, logo, cederá lugar à novidade mais recente denominada sustentabilidade. Já há engenheiros assim mal titulados, profissionais incapazes de projetar ou dirigir a construção de uma barragem, de uma estrutura hidráulica ou de um processo físico-químico de depuração de dejetos, tudo afeito à pretensa especialidade. Vale uma pesquisa dos títulos de cursos de Engenharia registrados nos órgãos oficiais. Deparar-se-á com grandes surpresas e neologismos. Após revisão dos cursos de graduação feita pelo Ministério da Educação (MEC), a variedade dos cursos de engenharia oferecidos palas universidades e faculdades do país sofreu uma redução. De 200 nomes diferentes de cursos, o cadastro do MEC considera agora apenas 53 variedades de engenharia. Uma pesquisa realizada pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) revelou que somente as instituições privadas oferecem ao todo 924 cursos, em 306 instituições. Apesar de ser somente o 140 curso mais procurado no Brasil, as engenharias contam hoje com 174 mil matriculados.
Mas não somente a engenharia enfrenta problemas dessa natureza. Existem no Brasil 1.200 cursos de direito enquanto a soma no resto do mundo chega a 1.100 faculdades, incluindo a China, os Estados Unidos e os países da Europa e da África. O Brasil teve sua primeira Faculdade de Direito inaugurada em 1827, a do Largo São Francisco, São Paulo. Em quase dois séculos, o curso tornou-se o segundo mais concorrido do país. Segundo Ophir Cavalcante, presidente nacional da OAB, a massificação do ensino representa, na prática, um estelionato educacional. Os cursos de direito não têm qualidade e há faculdades nas quais basta se inscrever para obter a graduação. Hoje, estão inscritos na OAB cerca de 720 mil advogados. Se não fosse exigido o Exame da Ordem para o exercício da profissão, o número de advogados no País seria de aproximadamente dois milhões.
Bibliografia
FAGUNDES, A. de B. “Cursos de ocasião.” Jornal do Instituto de Engenharia, 2010, 60 ed.: 3.
NICACIO, A., C. D. SEQUEIRA, H. MARQUES, e S. PARDELLAS. “Estelionato educacional.” ISTOÉ (Editora Três) 34, n. 2145 (2010): 39.
Redação. “Brasil campeão em Direito.” Revista Ensino Superior (Semesp. Editora Segmento) 13, n. 146 (2010): 06.


















